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O que se sabe sobre a prevenção da Síndrome de Morte Súbita do Lactente?

Semana Especial Epidemiologia e Serviços de Saúde 2024

Referências

Bebê deitado em uma cama, com lençol azul-bebê, fronhas e edredom branco com quadriculado preto. Ele está de olhos fechados, sorrindo e com os braços abertos, transmitindo uma sensação de conforto e serenidade.

Thaynã Ramos Flores, Editora Associada da Epidemiologia e Serviços de Saúde: revista do SUS (RESS), Universidade Federal de Pelotas, Pelotas/RS, Brasil.

Há uma escassez de dados sobre a Síndrome da Morte Súbita do Lactente (SMSL) na literatura, particularmente informações de base populacional acerca da efetividade das orientações às gestantes, durante o pré-natal, visando à prevenção da síndrome. Embora a cobertura de pré-natal tenha aumentado em nível mundial, a SMSL é a terceira causa de morte infantil. Por isso, é importante avaliar o conhecimento das puérperas com relação à sua prevenção. 

Nesse sentido, o estudo Conhecimento sobre prevenção da síndrome da morte súbita do lactente entre puérperas no Sul do Brasil, 2019: um estudo transversal, de Souto et al. (2024), publicado recentemente no periódico Epidemiologia e Serviços de Saúde: revista do SUS, buscou avaliar o conhecimento sobre prevenção da SMSL entre puérperas com pré-natal realizado nos serviços público e privado do município de Rio Grande, Rio Grande do Sul, Brasil, 2019. Os dados reportados no artigo identificaram que a maior parte (67,7%) das puérperas desconhecia a posição preventiva da SMSL e que apenas 1,9% relataram ter sido informadas sobre a SMSL durante o pré-natal. 

Imagem: Freepik.

A maioria das puérperas, especialmente as atendidas na rede pública, desconhecia a posição que previne SMSL, evidenciando que informações sobre o problema são pouco abordadas no pré-natal. As mães relataram que médicos/enfermeiros (70,5%) e avós (65,1%) tinham influência na decisão sobre a posição do bebê ao dormir. A maior parte das puérperas (77,8%) temia engasgo/afogamento do bebê. 

Os achados deste estudo salientam a importância de campanhas para recomendações sobre a posição correta para o bebê dormir, destacando-se a prevenção de SMSL. Essas orientações devem abranger gestantes e avós, e poderiam até mesmo ser anotadas e destacadas nas carteiras da gestante e da criança. Quanto aos serviços de saúde, devem ser incentivadas as orientações dos profissionais durante as consultas de pré-natal, pois essas recomendações não possuem custo e têm um alto impacto na prevenção da SMSL.  

SILVA, B.G.C., et al. Prevalence and associated factors of supine sleep position in 3-month-old infants: findings from the 2015 Pelotas (Brazil) Birth Cohort. BMC Pediatrics [online]. 2019, vol. 19, no. 1, pp. 165 [viewed 10 April 2024]. https://doi.org/10.1186/s12887-019-1534-3. Available from:  https://bmcpediatr.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12887-019-1534-3 

AITKEN, M.E., et al. Grandmothers’ beliefs and practices in infant safe sleep. Matern Child Health J. [online]. 2016, vol. 20, no. 7, pp. 1464-71 [viewed 10 April 2024]. https://doi.org/10.1007/s10995-016-1945-9. Available from: https://link.springer.com/article/10.1007/s10995-016-1945-9